21 de jul. de 2011

Simples conquistas...

Esses dias foram dedicados a fazer coisas simples. Na verdade, nunca pensei que elas trariam tanta alegria. Essa coisa de renascer desse jeito é trabalhosa. Mas em menos de 15 dias  já é possível fazer maquiagem, depilar as axilas e as pernas, fazer as sobrancelhas... Isso sem falar no que significa a delicadeza de tudo isso quando se renasce. É impressionante poder vibrar com a percepção da retomada de cada uma dessas coisas.

Uma viagem era, antes de qualquer coisa, a possibilidade de estar distante de qualquer memória de sofrimento. Aqui onde estou protegida, se falo das dores presentes é com a distância de como se elas tivessem passado. Silenciar certos assuntos é me perceber na ausência de algo que tanto me tomou... Não tenho as ilhas para ver, confesso que isso me conforta um tanto. Mas mesmo assim, mantenho-me fiel ao mar. Quando vejo as ilhas, ao longe, sempre lamento olhá-las com sensação de terror. Mas é o possível.

Estar onde estou agora, é a concretização da esperança de outrora, a certeza da não amargura, a clareza de que um dia não precisaria mais negar lugares, que conseguiria extrair de espaços outrora tristes, outros sentimentos. Assim é hoje com o cerrado, ainda não chegou a vez da Ilha. Não sei se vai chegar. Mas desejo, despretenciosamente e com alguma ansiedade que chegue, não por nada, mas por saber ser capaz e querer ver as coisas acontecerem...por saber que essa chegada implica em outras anteriores, e igualmente importantes...

Aqui consegui até comprar roupas novas. Foi meio sem sentir. Mas  rapidamente essa consciência vem à tona, e aí - temos mais um simples motivo para comemorar.  Por enquanto ainda foi uma roupa que aquece, que protege, que não expõe, nem mostra. Mas que tem sua beleza num cinza silencioso e escuro, que a qualquer dia irá combinar com um batom vermelho carmim.