26 de jul. de 2011

Entre o Silêncio e o Submeter-se

Do alto da minha vivência social, política, espiritual, feminista, feminina, e de tantas outras identidades que assumi no decorrer da vida, eu me dei conta que sempre olhei pra a expressão submissão como um termo pejorativo. Como algo que oprimisse, que relegasse a segundo plano, que subjugasse. Talvez em muitos contextos valham realmente esses sentidos. Mas ontem, em meio a um retorno emocionado de uma viagem feliz, e o grito da realidade do que - ainda - me espera no campo das relações de amizade, me foi apresentado um outro sentido para essa expressão.

"Ela não consegue submeter-se a você". Me disseram! Deu certo trabalho para entender o que isso queria dizer, até que - bingo. Mais um ingrediente se soma a tantos aprendizados do que venho tendo no campo da construção das amizades. Diante do inoportuno: o silêncio.




Submeter-se aos limites explícitos ou implícitos dos outros é mais que um código velado da solidificação das relações, talvez possa mesmo figurar quase como norma social. Já parou para pensar no prazer de merecer a confiança de alguém querido? Lembra daquele momento em que fez toda a diferança uma colega meio fechada te chamar para uma conversa e abrir o coração em desabafos sobre sua própria vida?  Isso sem sequer ter de se preocupar em pedir constrangida: " - por favor, gostaria que isso ficasse só entre nós"..

Porque no pacote da relação já está incluído o bom senso da outra pessoa. Nada pode ser mais confortante.
Há porém quem em nome de sei lá eu o que, invade, coloca o dedo na ferida, especula a sua intimidade e lhe lembra - " não esqueça - você está sofrendo, ein".  Por mais boa vontade que haja, eu tenho dificuldades em lidar com essas abordagens, se não for do lugar da carência alheia: preciso que você sofra, pra eu me afirmar equanto uma boa pessoa, enquanto alguém solidário, que se preocupa. E que talvez lá no fundo, precise que o outro continue sofrendo...

Talvez isso não seja consciente, talvez não haja má intenção.. Mas fere. Dói. E por mais que racionalmente compreenda, é importante deixar claro que compreender é muito diferente de me submeter, agora sim, sendo usado no sentido negativo da palavra.  Não quero o rótulo de vitima indigesta, nem tudo de ruim que vivi comporá a minha identidade. Somos bem mais que a dor que nos afeta. E nunca é pouco lembrar.