23 de jul. de 2011

Das negociações com a verdade...

Um beijo por uma vida. Quantas vidas já valeram um beijo - por hora só lembro do episódio fatídico entre Judas, Jesus Cristo e os Soldados Romanos. Isso para me remeter às aulas de religião ou de história geral.  Para além disso me lembro de mim. E fico pensando o que na vida é desejável ou possível, ou às vezes imperiosamente necessário negociar para renascer.

No meu caso também fora um beijo. A despeito da traição do apostolo, nada poderia ser mais violento naquele momento. Nunca poderá se aproximar da idéia sinônima de uma manifestação de afeto. Mas fiquei pensando nas negociações.

Uma das reflexões que ganhou outra força em mim, foi da importância de usar a verdade. Não tou falando aqui da verdade dos fatos. Me refiro à verdade que brota do nosso coração e que é impossível não servirmos à ela. Foi com isso que negociei. Em algum momento não podia deixar que a mescla entre a ira descompensada e o afeto perdido em outros decidisse sobre o meu destino.

Foi ali que eu virei a intersecção. Foi ali que o apelo por alguma verdade veio à tona. Acreditá-la possível também foi algo mais forte do que eu. Não havia outra chance que não pedir. Diante da imposição de o que poderia ser um beijo, caso estivéssemos aqui falando de um vínculo afetivo, só restaria apelar para essa verdade.

A verdade que brota da alma. Era possível crer que ali existia uma alma. Não sei. Mas clamar por ela, pela verdade, mudou alguma energia. E a verdade me libertou. Agora, a noção de verdade muda. Porque aplaca a insegurança que muitas vezes gera competitividade, que gera necessidade de afirmação. A verdade virou um fim em si mesma, mas também virou um começo e um recomeço.

Agora urge outro desafio, o das verdades partilhadas na estrada que ressurge com outra luz, com outro vento, com outras sombras, com novas e velhas companhias, com outros túneis a serem atravessados. Que verdade se que dispor sozinho, para construir verdades coletivas. Quais são as negociações possíveis sem se perder de si. A negociação do experimentar, provavelmente. Eu ainda não sei. Mas quero tentar descobrir na vida nova.