O amor antes, era um terreno onde caíram muitos galhos secos, derrubados por uma tempestade...
Caíram folhas, frutos... secaram, se soterraram na lama
Foi um trabalho tão grande limpar tudo...
Transformar os galhos secos em lenha
acender uma fogueira que me aquecesse do frio à noite.
Foi tão custoso extrair raízes de árvores mortas.
Uma por uma.
Uma labuta solitária e solidária a mim
Um dia, de tão envolvida, eu mal percebi
Havia terminado...
Abriu-se um sol.
Tudo estava lindo,
Ele, o sol e o vento conversavam,
balançavam as árvores que sobreviveram
Os frutos que caíram no chão durante a tempestade
na verdade viraram sementes
Ao olhar pro chão.. lá eu vi pequenas e novas árvores surgindo
Frágeis, lindas e cheias de esperanças de que logo viessem as flores
Os novos frutos.. os novos sabores, Os novos saberes...
Não deu tempo.
Outro jeito de tempestade.
Nem era mais tão inverno, já havia certo sol novamente... num outro tempo
Dessa vez foi o homem
E com ele, e sua civilização, vieram as pedras que caíram
foram jogadas de uma caçamba de caminhão
Ia-se construir uma estrada naquela trilha.
Bem por sobre o amor.
E foi assim que tudo foi soterrado...
As pequenas árvores,
a esperança das flores e dos novos frutos.
Novo trabalho começa...
Nova solidão nessa floresta escura
Tirar pedra por pedra...
e ver o estado do amor.
Torcer pra que esteja protegido, como pedi um dia
Torcer pra que tenha ficado enganchado entre uma pedra e outra
Pra que tenha dado tempo de se esconder
de mergulhar num lago próximo...
E pra que consiga respirar bem debaixo d'água..
Pra que tenha fôlego pra esperar o tempo de eu tirar as pedras
E replantar algumas sementes...
E esperar crescer..
Enquanto isso, ficamos cá, eu e a roseira da varanda
que nem brigou com o cravo
Mas ficou despedaçada..
Tento ensiná-la a cantar...
Mas as vezes me some a voz...
Já tem pequenas folhas..
mas acho que ainda demora sua gestação de novas rosinhas.
Esperar... esperar, e esperar....