8 de set. de 2011

Um não sei o que de silêncio saudoso...

Acordei  íntima do silêncio.
e tanto já se disse da saudade, 
E tão duro é sentí-la quando não se pode matá-la.
Dói mais que a saudade seja gente 
E em se sendo, esteja ali, em sua frente.
Tanto mais dói que a própria ausência.
Mas não seja mais um abraço inteiro.

Acordei íntima do silêncio
E ali, no frio computador...
Tua essência me renasce de surpresa
Imaginando o dia de te reconhecer
Associar-te-ei a alguma daquelas poesias que não li?
Ou já serás passado de ti próprio quando esse dia chegar?
Ou serás só uma foto guardada na caixa azul?
Eu já sou passado de mim na mesma foto - juntos. 
Acho que seremos passado do que não fomos.
E chego a achar que isso é bom.

Melhor ter-te por hora só em saudade, 
mas ainda escolho a saudade-silêncio. 
Tudo o mais, é molhar o cimento seco.  
Quando entendermos que é preciso preparar novo cimento,
 prepararemo-nos, também, para nos achar de outro modo.

Tinha uma dureza qualquer em ter de ser fria.
Mas havia, ainda assim, uma certeza na dureza. 
Maior até do que a certeza do possível.
E maior até que a saudade que nega - há braços

 Existia a saudade de algo que não quero mais.
Porque nunca mais quero querer o que nunca tive.
Não estou falando de você. 
Você não é coisa do querer
Você é coisa do amar sem garantias