Entre cordas de violão,
pares de pés e bom vinho.
Não há mais onde rabiscar saudade
Aí rabisco aqui, nessas mal traçadas letras.
Desço pra rua
procuro o vazio
todos os carros são seus
todas as placas são do seu lugar
Que nem sei mesmo mais onde é?
Melhoro sempre...
Daria até gosto me ver,
já cantou Renato Russo
Melhora falsa
Continuo rabiscando
sigo a cozer
como água para chocolate
O reservatório onde coloco meu amor
Amor em conserva...
Quem sabe tempero
com esse mesmo amor
Outra história qualquer
sem conservantes...
28 de set. de 2011
18 de set. de 2011
Vinho das cordas aos pés
Às vezes fica só vício.
O velho
e a preguiça do novo.
qual seu vício?
"- A música e outras coisas..."
Silêncio, olhos baixos
Um que de sedução,
um abraço antigo
Um encontro novo.
Ou contrário?
Lhe droga a poesia dos olhos baixos.
Olhos transeuntes
entre cordas de violão e dedos dos pés
De quais pés?
Ainda não sei.
Do velho, só o vício...
vício que tudo Apaga...
Do novo, a preguiça do velho
e o vinho recém aberto,
dormente frio na geladeira...
Será?
Gosto mais das novas rolhas na cristaleira...
E me "prazenta" o olhar cabisbaixo,
entre as cordas de um violão,
os meus e os seus pés...
8 de set. de 2011
Um não sei o que de silêncio saudoso...
Acordei íntima do silêncio.
e tanto já se disse da saudade,
E tão duro é sentí-la quando não se pode matá-la.
Dói mais que a saudade seja gente
E em se sendo, esteja ali, em sua frente.
Tanto mais dói que a própria ausência.
Mas não seja mais um abraço inteiro.
Acordei íntima do silêncio
E ali, no frio computador...
Tua essência me renasce de surpresa
Imaginando o dia de te reconhecer
Associar-te-ei a alguma daquelas poesias que não li?
Ou já serás passado de ti próprio quando esse dia chegar?
Ou serás só uma foto guardada na caixa azul?
Eu já sou passado de mim na mesma foto - juntos.
Acho que seremos passado do que não fomos.
E chego a achar que isso é bom.
Melhor ter-te por hora só em saudade,
mas ainda escolho a saudade-silêncio.
Tudo o mais, é molhar o cimento seco.
Quando entendermos que é preciso preparar novo cimento,
prepararemo-nos, também, para nos achar de outro modo.
Tinha uma dureza qualquer em ter de ser fria.
Mas havia, ainda assim, uma certeza na dureza.
Maior até do que a certeza do possível.
E maior até que a saudade que nega - há braços
Existia a saudade de algo que não quero mais.
Porque nunca mais quero querer o que nunca tive.
Não estou falando de você.
Você não é coisa do querer
Você é coisa do amar sem garantias
3 de set. de 2011
O amor, as pedras e a roseira....
O amor antes, era um terreno onde caíram muitos galhos secos, derrubados por uma tempestade...
Caíram folhas, frutos... secaram, se soterraram na lama
Foi um trabalho tão grande limpar tudo...
Transformar os galhos secos em lenha
acender uma fogueira que me aquecesse do frio à noite.
Foi tão custoso extrair raízes de árvores mortas.
Uma por uma.
Uma labuta solitária e solidária a mim
Um dia, de tão envolvida, eu mal percebi
Havia terminado...
Abriu-se um sol.
Tudo estava lindo,
Ele, o sol e o vento conversavam,
balançavam as árvores que sobreviveram
Os frutos que caíram no chão durante a tempestade
na verdade viraram sementes
Ao olhar pro chão.. lá eu vi pequenas e novas árvores surgindo
Frágeis, lindas e cheias de esperanças de que logo viessem as flores
Os novos frutos.. os novos sabores, Os novos saberes...
Não deu tempo.
Outro jeito de tempestade.
Nem era mais tão inverno, já havia certo sol novamente... num outro tempo
Dessa vez foi o homem
E com ele, e sua civilização, vieram as pedras que caíram
foram jogadas de uma caçamba de caminhão
Ia-se construir uma estrada naquela trilha.
Bem por sobre o amor.
E foi assim que tudo foi soterrado...
As pequenas árvores,
a esperança das flores e dos novos frutos.
Novo trabalho começa...
Nova solidão nessa floresta escura
Tirar pedra por pedra...
e ver o estado do amor.
Torcer pra que esteja protegido, como pedi um dia
Torcer pra que tenha ficado enganchado entre uma pedra e outra
Pra que tenha dado tempo de se esconder
de mergulhar num lago próximo...
E pra que consiga respirar bem debaixo d'água..
Pra que tenha fôlego pra esperar o tempo de eu tirar as pedras
E replantar algumas sementes...
E esperar crescer..
Enquanto isso, ficamos cá, eu e a roseira da varanda
que nem brigou com o cravo
Mas ficou despedaçada..
Tento ensiná-la a cantar...
Mas as vezes me some a voz...
Já tem pequenas folhas..
mas acho que ainda demora sua gestação de novas rosinhas.
Esperar... esperar, e esperar....
Caíram folhas, frutos... secaram, se soterraram na lama
Foi um trabalho tão grande limpar tudo...
Transformar os galhos secos em lenha
acender uma fogueira que me aquecesse do frio à noite.
Foi tão custoso extrair raízes de árvores mortas.
Uma por uma.
Uma labuta solitária e solidária a mim
Um dia, de tão envolvida, eu mal percebi
Havia terminado...
Abriu-se um sol.
Tudo estava lindo,
Ele, o sol e o vento conversavam,
balançavam as árvores que sobreviveram
Os frutos que caíram no chão durante a tempestade
na verdade viraram sementes
Ao olhar pro chão.. lá eu vi pequenas e novas árvores surgindo
Frágeis, lindas e cheias de esperanças de que logo viessem as flores
Os novos frutos.. os novos sabores, Os novos saberes...
Não deu tempo.
Outro jeito de tempestade.
Nem era mais tão inverno, já havia certo sol novamente... num outro tempo
Dessa vez foi o homem
E com ele, e sua civilização, vieram as pedras que caíram
foram jogadas de uma caçamba de caminhão
Ia-se construir uma estrada naquela trilha.
Bem por sobre o amor.
E foi assim que tudo foi soterrado...
As pequenas árvores,
a esperança das flores e dos novos frutos.
Novo trabalho começa...
Nova solidão nessa floresta escura
Tirar pedra por pedra...
e ver o estado do amor.
Torcer pra que esteja protegido, como pedi um dia
Torcer pra que tenha ficado enganchado entre uma pedra e outra
Pra que tenha dado tempo de se esconder
de mergulhar num lago próximo...
E pra que consiga respirar bem debaixo d'água..
Pra que tenha fôlego pra esperar o tempo de eu tirar as pedras
E replantar algumas sementes...
E esperar crescer..
Enquanto isso, ficamos cá, eu e a roseira da varanda
que nem brigou com o cravo
Mas ficou despedaçada..
Tento ensiná-la a cantar...
Mas as vezes me some a voz...
Já tem pequenas folhas..
mas acho que ainda demora sua gestação de novas rosinhas.
Esperar... esperar, e esperar....
Assinar:
Comentários (Atom)
