6 de nov. de 2011

Sobre o morrer e o renascer nosso de cada sempre...

  
Morrer pode ser virar uma esquina, fazer uma curva com o vento e mudar tudo. Ou mudar grande parte, a maior parte.... "Quem foi que disse que só se morre uma vez?" Indagou Austragésilo Carrano, na introdução do seu “Canto dos Malditos”. 

Sempre me impactou essa pergunta. Ela afinal, remete às várias mortes que temos no decorrer da vida, antes de chegarmos ao estágio de finalização da matéria. Morremos do parto à morte. Passagens...É sempre assim. Deixamos algo partir, para quiçá um novo chegue. Ok, não há nenhuma novidade nisso, diriam alguns. Clichê! Diriam outros. De fato, eu ficaria até motivada a concordar, todavia acho que me dispus a ir além e tentar perceber o novo de cada renascimento, perceber onde está a diferença, qual o detalhe, onde está o aprendizado, ou talvez o reaprendizado.

Uma morte pode ser uma mudança de cidade, uma separação de um amor, a perda de alguém querido, uma doença da qual se cura, (ou não), um acidente, o nascer de um filho, uma mudança de trabalho, uma partida, uma chegada... mas sempre algo que provoca uma transformação interna tão avassaladora, que, tatuada na retina, nos convida às vezes de forma delicada, às vezes de forma abrupta, a olhar a nós mesmos através de outras lentes, e não nos dá outra opção que não a de fazer a curva com o vento. 

Talvez seja sobre isso que queira rabiscar aqui...  São muitas as experiências tatuadas na retina, mas há uma curva em curso. É, afinal, a vida passada a limpo, em contraposição ao antigo “papel borrão”. Agora temos em mãos uma resma de papel em branco, Oxalá, para o novo que há de vir... Talvez seja deveras controlador querer registrar cada nova sensação. Cada novo saber e cada novo “desreconhecer”, talvez possível, talvez necessário, talvez seja prazeroso.

A idéia é, portanto, desbravar uma estrada que eu não sei onde leva. E que bom não sabê-lo. Ainda que em seu percurso passemos por lamaçais que dificultem o caminhar, enfrentemos chuva forte, caiamos, levantemos...  O desejo, enfim, é que, ao cruzar o túnel, desagüemos na claridade vasta da praia calma, e cheguemos, em segurança, a nossa casa interna. 

25 de out. de 2011

Lampejo

Dei de tomar coca-cola à noite
E agora, dei de não dormir...

Nesse intervalo
Fico a pensar que deve haver algum sentido
Em ser tu que me achas sempre.
No im, pré, visto.

É no lapso de distração - segundos
que  tuas patas macias repousam em mim
e dá-se a o encontro sem palavras.
consumido por qual grandioso é todo esse olhar

Deve haver algum mistério
Ao qual minha tola esperteza não está acostumada
No fato de seres tu
que sempre me achas.

Receio já ter escrito isso antes...
Aqui por perto, mesmo.
Fazer o que, se agora,
arrumei um cotidiano qualquer no qual teu som me invade
até a próxima vez

Trago comigo o primeiro som
o que liberou a pista
E foi lenta e sutilmente me invadindo
Tamanha doçura foi
que ouço, sou capaz
cada instrumento
só e conjuntamente.
Enquanto espero virares
E numa luz que não se afaiscou

Voltares para ver de perto
E escolhermos juntos
Ou, talvez não,
Se o depois virá.

E mais uma vez enquanto
na espera, me esvazio de ti
Teu som vira minha bagagem rio acima
Pelos ares, pelas águas doces de Oxum
Até a volta, despeço-me todo dia.

16 de out. de 2011

Brilha-olhos

Talvez não seja você
Mas tanto mais do que encontro em mim
Que me faz ferver a carne.
Mas porque tu és som,
capaz de isso ser coisa de pessoas.
Pessoas dentro e fora de mim.

A sensação de silêncio que me causas
reverbera a música do mundo
que inunda a sala vermelha
criando, assim, os brilha-olhos

Teu som é toque sutil.
Ou seria teu toque que me soa?
Pouco importa se tu que sempre me vês.
E a tua surpresa transforma-me a ansiedade morta.

Mesmo quando te vejo antes.
És tu quem me tocas.

Se também te faço música
Não sei como a escutas.
Se a escuta.
Mas na floresta de fogo
O que importa saber isso agora.
Se só chegou o tempo de olhar...

Tua clave de sol brilha-olhos
Dá o tom do silêncio nos encontros.
Queria sair pra cantar nos teus olhos...

12 de out. de 2011

O que tem pra hoje...

Da parte que já "travessei" a minha ponte
o que tem pra hoje
é a certeza do caminho sem volta

A melhor parte, porém,
é não ver o que tem adiante...
Então, adiantemos...
Mas não tem o um só,
que eu deixei na margem esquerda...

 "travesso" da esquerda pra direita...
Não sei porque,
mas é assim que os olhos d'alma me imaginam
E assim vem sendo...

Do que não se vê na direita
Um largo tão grande,
que cabe o que não enxergo
Surpresas do dia a dia...

Resolver a vida em suas surpresas
Não planejar o re-solver...
Não predatar o diluir...
Apenas ver se esvair a dor que nem mais existe

Saudade que já deixou espaço pro vazio...
Conhecer sem planos e sem pressa
Todo o novo que chega...

 Surpresa,  Espera e Desconhecido
são irmãos diferentes...
Que se completam

Um dia,  Desconhecido  apronta Surpesa
E aponta a luz que nos faz ver
que o esperado,
No fundo, sempre esteve lá.

11 de out. de 2011

Clave de Fogo



O segredo preservar o vazio em silêncio
O segredo é viver o nada, como se inteiro fosse...
Negar a espera  alerta
que inunda e embaça o mesmo nada.

E você,
sempre chega junto em delicada distração.
Companheiros de olhar profundo
Esses tais olhos tantos se passeiam e se falam tantas coisas
que ainda não sabem querer dizer...

Você chega quando eu nunca nos sei
Quando eu desisto de ter recaídas de mim.
E que assim seja..

Que impregne o corpo e a alma
como o fogo que me tacas
e me tocas por dentro da carne...

Ou como a música e a poesia que te embriagam
Ou como a doçura inexplicável que me contamina
Não importa quando ou como chegues
Seja apenas bem vindo, Amor!